
Noemi Barreto Sales Zukowski, Hellen Luz, Ulisses Franklin Carvalho Cunha e Achilles Alves de Oliveira durante abertura do evento (Fotos: Nonato Silva/ Dicom Unitins)
A abertura oficial do II Seminário Internacional ComNectar foi realizada na manhã dessa segunda-feira, 1º, no auditório da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins). Com o tema “Formação e docência na contemporaneidade: entre (re)existências e disrupções”, o evento está organizado em duas etapas: on-line (28 e 29/05) e presencial (1º a 03/06) com a etapa presencial do Seminário ocorrendo de forma conjunta com o I Encontro ComNectar Redes – "Reflexões sobre Educação, Docência, Escola e Sociedade". O objetivo é aproximar ainda mais as ações Universitárias às demais redes e agentes da educação pública local.
Participaram da solenidade o diretor do Câmpus Palmas, professor Ulisses Franklin Carvalho Cunha, na ocasião representando reitor da Unitins, professor Augusto Rezende, a diretora do IFTO, professora Noemi Barreto Sales Zukowski, a pró-reitora de Ensino do IFTO, professora Hellen Luz, representando a reitora do IFTO, professora Paula Karini Dias Ferreira Amorim, e o coordenado do Grupo ComNectar/Unitins, professor Achilles Alves de Oliveira. A programação teve início com a apresentação musical do artista Afrika Billy.
O II Seminário Internacional ComNectar e o I Encontro ComNectar Redes são realizações do Grupo de Estudos ComNectar/Unitins e contam com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Governo do Estado do Tocantins, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), da Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins (Fapto), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins (IFTO) e do Grupo Horizonte (UFSCar).
Por meio de conferências, mesas-redondas, oficinas e sessões científicas, as ações buscam fortalecer práticas pedagógicas emancipatórias, valorizar a escola como território de direitos e reafirmar o compromisso da Universidade com a democracia, a justiça social e as (re)existências que emergem na educação básica em um cenário de intensas disrupções tecnológicas, políticas e culturais. A conferência de abertura “Por trás da educação inovadora: métricas, resultados e trabalho docente em disputa” foi ministrada pela doutora Giuliana Mordente, que é professora de Psicologia da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FE/UFRJ). A mediação ficou aos cuidados do professor mestre Achilles Oliveira.
Em defesa da educação e da escola, a pesquisadora Giuliana Mordente destacou o “adoecimento como forma de nos manter apaziguados, adoecidos, afastados, licenciados. O adoecimento docente tem sido uma das grandes formas de repressão ao mundo docente, inclusive temos sempre buscado saídas individualizantes, via consultórios médicos, particulares, psicólogos, psiquiátricos, onde retiramos a dimensão coletiva desse adoecimento, como se fosse algo em nós que falha, somos nós que não damos conta, que não sustentamos o suficiente. Então, o adoecimento docente ele vem sempre com essa carga individualizante e com buscas também de tratar tudo de forma individualizada, e retorna-se para a mesma situação adoecedora que permanece, muitas vezes, a mesma”.
“E não tem como dissociar o adoecimento das lógicas de precarização do trabalho. Vemos muitas experiências que inspiram ou que dão, pelo menos, oxigênio às nossas lutas. Um dos projetos de sucateamento da educação, como falei anteriormente, é minar a nossa capacidade imaginativa de pensar uma outra escola, de pensar uma outra educação. E essas são escolas que estão cotidianamente buscando se reinventar, apesar da precarização, apesar de todo o sucateamento, elas estão juntas ali”, explica Giuliana.
Achilles Oliveira ressalta que a programação desse seminário internacional “é fruto de um trabalho do grupo de estudos sobre Educação, Tecnologias, Comunicação, Culturas e Linguagens, o ComNectar, coordenado por mim e pela professora Janaína Senem, ambos do curso de Pedagogia, com pesquisadores e estudiosos de diferentes estados do país, e tem sido um movimento de colaboração em rede”.
“E nessa colaboração trouxemos esse seminário para discutir pesquisas, reflexões, questionamentos que nós temos levantado dentro do grupo, mas agora ampliando esse escopo, com um fomento da Capes, que foi primordial para subsidiar, para que ocorresse presencialmente, ele nasce virtualmente no ano passado, ele se materializa no presencial, e também de um apoio da Fapt, junto com a Unitins e com o suporte do IFTO, para que pudéssemos ter essa presencialidade, esses encontros, que são tão necessários nesse momento para discutir educação pública, universidade, escola”, destacou Oliveira.
O reitor da Unitins, professor Augusto Rezende, que estava em uma atividade convocada pelo Governo do Estado, ainda chegou a tempo de deixar sua mensagem aos participantes do evento. “Nesse ecossistema educacional cada vez mais complexo, administrar todas as variáveis é ainda mais desafiador para o professor, para a universidade. E essas discussões na educação, trabalhando os melhores referenciais, as melhores pesquisas de boas práticas, e algumas reflexões desse ecossistema de educação tão complexo faz com que a Universidade amadureça cada vez mais”.
“Professora Giuliana, muito obrigado pela sua presença, por deslocar do Rio de Janeiro para cá, para conhecer um pouco da nossa cidade, um pouquinho do nosso calor. Não só da temperatura, mas também o calor humano, o calor do coração que o Tocantins tem como marca. Quero agradecer, também, ao professor Achilles pelo protagonismo de fazer o evento, pela captação de recursos junto à Fapt e ao CNPq. E quando eu vejo acadêmicos aqui presentes, professores, técnicos administrativos, palestrantes de fora, eu tenho a convicta certeza que já deu certo. Em nome da reitoria quero agradecer a toda a construção e organização”, destacou o reitor.
Para o professor da Escola Tocantinense do Sistema Único de Saúde Dr. Gismar Gomes (ETSUS), George Bernardo Miranda, “eventos desse porte e com essa temática são importantes para discutir o cenário do campo de formação de professores e da área de educação. Então, é um local onde muitos especialistas vêm trazer suas visões sobre educação contemporânea e nos ajuda a construir horizontes para a nossa prática. Portanto, são eventos essenciais que têm muito intercâmbio entre estudantes de graduação, profissionais, pesquisadores e inclusive gestores”.
A programação segue até quarta-feira, 3, no Campus Palmas do IFTO, com mesas-redondas sobre inteligência artificial, sobre plataformas, educação e tecnologias, reformas curriculares na formação de professores. Discussões sobre educação indígena, educação quilombola, educação para a diversidade, para a interculturalidade.


