
Acadêmicas conheceram a estrutura e práticas da escola quilombola (Fotos: Divulgação)
Estudantes do 7º e 8º períodos do curso de Pedagogia/Câmpus Palmas da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) realizaram uma visita técnica à Escola Municipal Horácio José Rodrigues, localizada na comunidade quilombola Barra da Aroeira, em Santa Tereza do Tocantins. A atividade, que aconteceu na quarta-feira, 4, é vinculada à disciplina Educação Escolar Indígena e Quilombola e propôs a observação orientada para qualificar o diálogo entre teoria e prática e formar um olhar profissional capaz de interpretar a escola em sua dimensão institucional, pedagógica e territorial.
Conduzida pelo diretor da escola, Jusimar das Dores Rodrigues, a visita permitiu compreender o local como infraestrutura de direitos e como mediação concreta entre políticas públicas e a vida comunitária, onde decisões pedagógicas e administrativas têm efeitos diretos sobre permanência, aprendizagem, pertencimento e horizonte de futuro.
Como parte da proposta de ensino, foi feita uma preparação metodológica, apontando objetivos e questões norteadoras para a aula prática. A preparação permitiu que os discentes observassem dimensões como currículo, práticas de valorização cultural, participação comunitária e organização do trabalho pedagógico, evitando uma leitura superficial da experiência.
A acadêmica Maria Izabel Rodrigues Meneses destacou a visita como uma oportunidade de grande aprendizado. “Pude ouvir um pouco sobre a história da instituição, compreender seu funcionamento e, principalmente, vivenciar a trajetória histórica de resistência da comunidade. Para nós, como futuras pedagogas, foi fundamental ampliar a visão sobre ambientes desafiadores, como as escolas quilombolas. Destaco, também, que os professores que ali atuam foram, em sua maioria, alunos da própria escola, o que reflete a forte conexão da comunidade com suas raízes. O aspecto mais marcante, contudo, foi notar o compromisso afetivo e coletivo com a preservação da identidade quilombola”, avaliou.
No plano formativo, as aulas de campo fortalecem competências que são centrais à docência, como a leitura da escola enquanto instituição social e a compreensão de que a Educação Escolar Quilombola não se reduz a incluir temas no calendário, mas exige coerência entre projeto pedagógico, currículo, gestão e território.
De acordo com o professor doutor Genilson Nolasco, que propôs a visite técnica, a experiência de estar em uma escola quilombola, quando bem preparada e metodologicamente orientada desloca a formação docente do terreno das generalidades para o campo das responsabilidades concretas. “Ela evidencia que currículo não é apenas lista de conteúdos, mas uma forma de distribuir reconhecimento, pertencimento e futuro. Em Barra da Aroeira, a escola aparece como instituição que negocia diariamente a presença do Estado no território: traduz normas em práticas, enfrenta limites materiais, articula participação comunitária e sustenta, na vida ordinária, a continuidade de memórias e valores coletivos”, refletiu.
Em uma avaliação sobre os ganhos para o acadêmico, o professor pontuou que “essa vivência é formativa porque mostra que ensinar, aqui, implica produzir mediações: entre políticas e cotidiano, entre conhecimento escolar e saberes locais, entre identidade e direito. E é nesse ponto que a docência se torna, ao mesmo tempo, prática pedagógica e compromisso ético com justiça curricular e antirracismo”, finalizou.

O diretor da escola, professor Jusimar das Dores Rodrigues, conduziu a visita pelos espaços da escola e apresentou elementos centrais de sua dinâmica