O quintal de uma casa se transformou em um pequeno laboratório de produção sustentável graças a um projeto desenvolvido pelo estudante Carlos Augusto Lopes de Cerqueira, do curso de Tecnologia em Gestão do Agronegócio, polo de Palmas, da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins). A iniciativa utiliza como base o chamado “Sisteminha Embrapa”, tecnologia voltada para a produção integrada de alimentos em pequena escala.
O projeto está sendo desenvolvido com orientação da tutora presencial, professora Pollyanna Araújo, e tem como etapa principal a construção de um tanque para criação de tilápias. A proposta é que, futuramente, a água utilizada no cultivo dos peixes seja aproveitada para irrigar e adubar canteiros de hortaliças, integrando também um sistema de hidroponia.
Toda a estrutura foi construída no quintal da residência do estudante e contou com a participação direta de familiares, que se envolveram desde o início da iniciativa. Até o momento, foram investidos cerca de R$ 1.400 na construção do tanque e na estrutura inicial do sistema. Segundo o estudante, a experiência tem sido marcada por desafios, aprendizados e entusiasmo a cada nova etapa do projeto.
O acadêmico Carlos Augusto conta que o início foi desafiador, pois não tinha experiência na área. “Estamos entendendo o processo de crescimento e desenvolvimento dos peixinhos e cada atitude, a fim de proporcionar o melhor conforto e qualidade de vida e bem-estar animal”, destacou.
Além do desenvolvimento técnico, a iniciativa também se tornou uma experiência familiar. Parentes ajudam no manejo diário, como na alimentação dos peixes e no acompanhamento do crescimento dos animais. O envolvimento de crianças da família também tem tornado o processo ainda mais significativo.

“A experiência está sendo algo incrível tanto para mim quanto para meus familiares. Meu pai, por exemplo, é apaixonado por peixe, mas nunca tinha trabalhado em um projeto desse tipo. O entusiasmo de todos não tem preço, afinal, mais que algo da faculdade, está sendo uma experiência construída em família”, relatou o acadêmico Carlos Augusto.
De acordo com a professora Pollyanna Araújo, a proposta foi pensada de forma conjunta entre orientadora e aluno, buscando aliar teoria e prática dentro da realidade do campo. Como base, foi utilizada a tecnologia do Sisteminha Embrapa, adaptada às condições e aos recursos disponíveis.
“O tanque de peixes funciona como o coração do projeto e, em uma próxima etapa, será integrado a uma horta, funcionando como fonte de água e adubo orgânico, além de possibilitar a produção de proteína animal para consumo”, explicou a professora.
A estrutura foi construída de forma econômica e sustentável, com o uso de materiais acessíveis, como paletes e papelão na confecção das paredes do tanque, demonstrando que é possível desenvolver soluções produtivas com criatividade e baixo custo.
Mesmo sendo o primeiro contato do estudante com a piscicultura, o projeto tem avançado com dedicação e apoio familiar. A expectativa é que as próximas etapas ampliem a experiência e permitam compartilhar os conhecimentos adquiridos com outras pessoas e comunidades.
Segundo a orientadora, a iniciativa também deverá resultar em ações de extensão no futuro, levando a experiência para além do ambiente acadêmico e incentivando práticas de produção sustentável em pequenas propriedades.