
Sede do Nuta, em Porto Nacional, é aberta à visitação sob agendamento (Fotos: Arquivo Pessoal)
O Núcleo Tocantinense de Arqueologia (Nuta) da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) encerrou o ano de 2025 com um conjunto de ações que articula curadoria e conservação de acervos, pesquisa arqueológica aplicada, educação patrimonial e museal e fortalecimento institucional por meio de captação de recursos. Além disso, resultados de projetos ganharam repercussão nacional, com publicação em veículos como na revista Veja e reportagem na CNN Brasil. O Nuta é vinculado à Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários (Proex), por meio da Diretoria de Assuntos Estudantis e Esportes.
O curador do Nuta, professor doutor Genilson Nolasco, explica que “2025 foi marcado pela intensificação de rotinas técnicas de preservação preventiva e organização de coleções arqueológicas, paleontológicas e histórico-culturais, com esforços direcionados à qualificação do acondicionamento, atualização de registros, organização documental e melhoria de procedimentos de controle e monitoramento. Essas ações, frequentemente silenciosas aos olhos do público, são decisivas para manter a integridade material dos bens, reduzir riscos de deterioração e assegurar rastreabilidade das informações associadas aos objetos e conjuntos”.
No âmbito da pesquisa, teve continuidade do projeto “Mapeamento e levantamento do estado de conservação de sítios arqueológicos rupestres cadastrados na Área Estadual de Proteção Ambiental Serra do Lajeado”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), que combina documentação de campo, análise de conservação e produção de conhecimento voltado à proteção do patrimônio rupestre. Houve avanço também na ampliação do quadro de referência arqueológica com a identificação de dois sítios rupestres, que se somam aos quatro sítios já identificados e a um sítio litocerâmico identificados em 2024.
“A iniciativa tornou-se, ao mesmo tempo, um vetor de pesquisa aplicada e uma plataforma de comunicação pública, ganhando visibilidade por meio do circuito expositivo ‘Ecos da Serra’, com montagens, palestras e visitas mediadas em municípios como Tocantínia, Lajeado e Aparecida do Rio Negro, além de ações em Palmas, em equipamentos culturais estratégicos. A difusão dos resultados incluiu, ainda, a produção e circulação do livreto didático-pedagógico ‘Ecos da Serra: A arte rupestre na APA Serra do Lajeado’, fortalecendo a mediação cultural junto a escolas, instituições e comunidades, bem como qualificando o diálogo social sobre patrimônio e conservação”, destacou Nolasco.
A dimensão educativa também foi fundamental, com o desenvolvimento do Programa de Educação Patrimonial e Museal “Trilhas da Memória: Educação, Conservação e Extroversão do Conhecimento”, que sustenta uma programação permanente de palestras, visitas mediadas e ações formativas. O programa articula acervo, pesquisa e mediação, contribuindo para formação de públicos, sensibilização preservacionista e fortalecimento de repertórios críticos sobre memória, patrimônio e responsabilidade institucional, em diálogo com diferentes segmentos da comunidade acadêmica e externa.
Sustentabilidade e educação museal
A agenda de sustentabilidade e educação museal também se destacou em 2025 com a aprovação de dois projetos para receber o Selo ODS. O primeiro é o Programa de Educação Museal “Conhecimento e sustentabilidade: Uma jornada pelos museus da Unitins”, concebido para integrar espaços de acervo e memória da universidade em uma proposta articulada de mediação, aprendizagem e sensibilização pública. Realizado em parceria com o Museu de Zoologia e Taxidermia José Hidasi, o programa amplia a integração entre coleções e experiências educativas e fortalece uma abordagem transversal de temas como conservação, biodiversidade, memória e patrimônio.
O segundo é o projeto “Trilha do Soim: Educação e saberes tradicionais para conservação das árvores nativas do Cerrado”, voltado à educação ambiental e patrimonial, valorizando saberes tradicionais, a arqueologia do Cerrado e promovendo a conservação de espécies nativas do bioma regional por meio de experiências educativas e de mediação cultural realizadas no bosque da sede do Nuta, em Porto Nacional.
No eixo de fortalecimento institucional e captação de recursos, 2025 foi um marco para o Nuta, com a formalização de convênio com a Finep para desenvolvimento do “Projeto Nuta 2.0: Avançando na conservação e democratização do acesso ao acervo”, com captação de quase 1,4 milhões de reais visando à modernização de infraestrutura de pesquisa, ao aprimoramento de condições técnicas de guarda e conservação e à ampliação das estratégias de extroversão do acervo, traduzindo planejamento em capacidade institucional e reforçando o papel da universidade na salvaguarda do patrimônio.
O Nuta também registrou captações via endossos institucionais ao longo do ano, mecanismo que viabiliza a salvaguarda de acervos oriundos de pesquisas arqueológicas e converte contrapartidas em melhorias e aquisições voltadas à preservação, somando R$ 116.500,00 em 2025, incluindo contrapartidas financeiras e contrapartidas em bens destinados ao fortalecimento da reserva técnica.
Genilson Nolasco explica que “esse movimento de consolidação institucional se articula diretamente ao fortalecimento do Grupo de Pesquisa Nuta, certificado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq, que vem ampliando sua densidade acadêmica e sua capacidade de cooperação científica. Em 2025, o grupo aprofundou parcerias com pesquisadores de outras instituições, agregando novas interlocuções e ampliando a circulação de métodos, referências e agendas de investigação. Essa rede de pesquisa tem contribuído não apenas para qualificar as atividades científicas e formativas vinculadas ao núcleo, mas também para sustentar parte do ambiente de inovação e credibilidade técnico-acadêmica que viabiliza captações relevantes, seja na elaboração de projetos estruturantes, seja no amadurecimento de propostas alinhadas às exigências de órgãos de fomento e à responsabilidade institucional com acervos e patrimônio”.
“Somando ações de pesquisa, curadoria, programas educativos e iniciativas de sustentabilidade, as atividades desenvolvidas em 2025 alcançaram 3.597 pessoas, envolvendo discentes, docentes, técnicos e comunidade externa, com destaque para a capilaridade territorial e o alcance de públicos externos em atividades de circulação e mediação. Esse conjunto se fortalece com o amadurecimento do nosso Grupo de Pesquisa, que amplia parcerias e dá sustentação acadêmica às ações e às captações. Os resultados alcançados decorrem do apoio institucional da gestão da Unitins, na pessoa do magnífico reitor, professor Augusto Rezende, e do trabalho cotidiano, responsável e tecnicamente qualificado, da equipe do Nuta”, afirmou o curador do Nuta.

Inscrições rupestre na APA Serra do Lajeado