Com participação massiva de alunos e servidores, Semana Integrada abre atividades com ampla discussão sobre educação

Mesa redonda contou com a participação do reitor da Unitins e dos convidados José Moran e Omar Hennemann

Ruy Bucar Semana Integrada 2021/2 03/08/2021 09:10

Mesa redonda foi o ponto alto da abertura da Semana Integrada 2021/2 (Fotos: Nonato Silva/Dicom Unitins)


Teve início nesta segunda-feira, 02, a Semana Integrada da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), programação que substitui a tradicional Jornada Pedagógica e marca o início do semestre letivo 2021/2. Para recepcionar os espectadores, o evento contou com um momento cultural, com apresentação de clipes musicais de cantores tocantinenses, e mensagens de boas-vindas da Equipe Gestora a toda a comunidade acadêmica. Em seguida, deu-se início à mesa redonda com o tema "O papel da Universidade Pública na retomada da educação", que teve como debatedores o reitor da Unitins, Augusto Rezende; o professor e pesquisador José Moram e o conferencista Omar Hennemann, sendo mediada pela professora Luzinete Almeida, coordenadora de Formação Continuada da Unitins. A abertura foi apresentada pela jornalista Charlyne Sueste, diretora de Comunicação da Unitins, e o vídeo completo pode ser acessado aqui.

“É muito bom receber vocês em nossa casa. Desde 2018 que a gente vem a cada semestre buscando trazer o melhor para nossa Universidade. Este ano queremos integrar toda a comunidade acadêmica. E desta vez incluindo os nossos acadêmicos. Sejam todos bem-vindos”, saudou a vice-reitora professora Darlene Castro, que participou ao vivo via link, aproveitando para agradecer todos os departamentos que trabalharam na organização do evento e aos participantes.

 

Os pró-reitores também participaram da abertura com breves mensagens de boas-vindas no semestre que inicia. “Alunos e professores estarão juntos debatendo temas muito interessantes, como saúde, educação, sustentabilidade, economia. Que tenhamos um ótimo aproveitamento e que esta Semana Integrada seja um ponta-pé para um semestre proveitoso”, desejou a pró-reitora de Graduação, professora Alessandra Ruita Czapski. Quem também deixou a sua mensagem de boas-vindas foi a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, professora Ana Flávia Gouveia, que destacou em sua mensagem a admiração pelo corpo docente e discente da Unitins, pela superação das dificuldades e atuação de forma inovadora, em nome de um bem maior, a ciência.   

 

“Aproveitem as oportunidades das palestras, dos minicursos, das oficinas para pensar nos projetos de extensão, estabelecer conexões com as disciplinas e com os projetos de pesquisa para este semestre que inicia”, convidou a professora Kyldes Vicente, pró-reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários, em mensagem de boas-vindas aos participantes. O pró-reitor de Administração e Finanças, Daniel Bardal, destacou que a Semana Integrada foi pensada de forma especial para a comunidade acadêmica. “Neste momento em que vivemos não podemos estar presencial, mas nos adaptamos e estamos oferecendo um evento de qualidade para atender toda a comunidade acadêmica da Unitins”, disse o pró-reitor na sua mensagem.

 

O reitor Augusto Rezende também saudou os espectadores, deu as boas-vindas ao discentes, docentes e técnicos adminsitrativos da Unitins para o semestre letivo 2021/2 e aproveitou para transmitir a notícia que considera a grande novidade para estre semestre: o lançamento do vestibular do curso de Medicina do Câmpus Augustinópolis na próxima quinta-feira, dia 05.

Abertura contou com distanciamento entre os participantes no estúdio


Mesa redonda

Qual o papel da Universidade pública na retomada da educação? Com a palavra os professores doutor José Moran, da Universidade de São Paulo (USP), mestre Augusto Rezende, reitor da Unitins, e o mestre Omar Hennemman, consultor estratégico motivacional, debatedores da mesa redonda que abriu as discussões da Semana Integrada 2021/2.

“Estamos aqui para falar do futuro. Podemos até desconfiar, discordar, mas não temos o direito de ignorar o futuro. E é sobre esse futuro que vamos falar, muito mais do que do passado e do presente”, ponderou Omar Hennemman, passando a bola para o professor Augusto responder qual o tamanho da Unitins.

 

O professor Augusto Rezende apresentou dados que demonstraram o salto quantitativo e qualitativo da Unitins nos últimos três anos, fez uma rápida retrospectiva do desafio enfrentado pela Unitins com a crise da pandemia e confessou que buscou na própria trajetória da Universidade inspiração para continuar. “A gente foi buscando força e nos reinventando. A gente discutia muito a necessidade de continuar. Por que continuar? Primeiro, porque a gente verificava que tínhamos condições técnicas de continuar. A Universidade, em seu histórico nestes 31 anos, formou muita gente e foi protagonista na utilização de tecnologia no processo de formação”, pontuou o professor.

  

Augusto avalia que a melhor definição do tamanho da Unitins é o número de profissionais que a Universidade entregou ao mercado, cerca de 91 mil nos 31 anos de existência. “Esse dado nos coloca na condição de liderança da Região Norte do país. A gente disponibilizando no mercado pessoas que ajudarão a desenvolver outras pessoas”, ressaltou ao citar exemplos de egressos da Unitins que agora são professores da Universidade e estão ajudando a desenvolver outras regiões. O reitor enfatizou, ainda, que ao assumir a gestão da Universidade em 2018 a encontrou um pouco adormecida. “Eu assustei após conhecer o tamanho desta Universidade e o tamanho da sua penetração em alguns ambientes do Estado e fora. Decidimos, então, despertar esta grande instituição que estava adormecida e, principalmente, recolocá-la no seu devido lugar, de protagonismo no ensino superior no Estado do Tocantins”, relembrou.

 

“Fico feliz em saber que neste período vocês avançaram bastante. Neste um ano e meio que estamos na pandemia, vocês tentaram ao máximo que os alunos continuassem apreendendo, isso é louvável porque muitas instituições públicas ficaram muito na defensiva”, elogiou o professor José Moran em suas considerações iniciais. Moran ponderou que não se pode desconhecer ou ignorar as desigualdades no Brasil, muitos alunos não têm acesso a plataformas tecnológicas, o que é um problema.

 

O pesquisador pontuou que ensinar é um ato também de aprender. “Somos ao mesmo tempos ensinantes e aprendentes, como diz Paulo Freire. Se algo vai mudar, e isso está claro, é que a Universidade é para que cada estudante se sinta protagonista do seu processo, para que cada um de vocês empreendam. Nós, docentes, estamos a serviço da aprendizagem de vocês. A Universidade não é para que o aluno nos obedeça. Nós temos que de alguma forma encontrar sentido em que ele aprenda”, recomenda Moran.

 

“Vocês que são alunos, muitos de vocês perceberam que muitas das aulas que nós dávamos podiam ser dadas pela internet, vocês não precisam ir para um câmpus aprender aquilo que muitas vezes fazíamos”, observa o professor, reconhecendo que muitas vezes o professor ocupa a aula explicando conteúdo que hoje se tem muitas outras possibilidades de fazer. “A sala de aula tem que ser um lugar que vai além do conteúdo. Tem que ser um espaço de experiências ricas, de comunidades que aprendem. Esse modelo de apreender de forma ativa, de forma integrada, trabalhando tempos individuais dentro do seu ritmo, cada um também fazendo escolhas”, prevê, o educador.

 

"O papel da universidade é repensar essas formas de ensinar e de aprender. Os estudantes sabem que muito do que nós falamos está ao alcance do seu celular. A Universidade tem que aproveitar todas as possiblidades de ensinar, de forma híbrida, misturando formas. A universidade deve estar em qualquer lugar que as pessoas querem aprender, o papel da universidade é incluir. Trazer o mundo para dentro do câmpus e fazer o câmpus aberto para o mundo”, ressalta Moran apontando a tendência para uso de inteligência artificial, robô, modelo híbridos e outras possibilidades. Para ele, as universidades têm um enorme desafio pela frente: responder à pressão da sociedade que cobra resposta concreta nas áreas de pesquisa, ensino e extensão.

A professora mestre Luzinete Almeida, que mediou o debate, avalia que o momento "foi rico, instigante e inspirador. A gente sai com vontade de mudar tudo, mas já mudamos e estamos avançando”. Ela agradeceu as ponderações dos debatedores e a participação de público, que contou com estudantes, professores e ténicos administrativos da Unitins e também espectadores de outras instituições do Tocantins e de outros estados. Luzinete comemorou o número de inscritos: 1.582 estudantes e 258 docentes e técnicos-administrativos, dado que segundo ela reflete o bom índice de participação.

 

“Foi um debate muito proveitoso. Foram abordados temas muito atuais que acho que vão ajudar a Universidade a repensar seu papel na sociedade, visando o futuro”, destaca o professor Wolfgang Teske, do Câmpus Paraiso, ao avaliar a importância da mesa redonda. Teske diz que as reflexões dos debatedores implicam em mudanças, mudança de perspectiva e mudança de ação, que envolve todos.

 

Semana Integrada 2021/2

A Semana Integrada 2021/2 que substitui a tradicional Jornada Pedagógica continua até sexta-feira, 6. Nesta edição apresenta uma programação que contempla também os estudantes, além dos professores.  Em formato inovador a semana oferece uma série de atividades como mesas redondas, oficinas, workshop, discussão temática com conteúdo direcionado para professores e estudantes ao longo de cinco dias de total imersão.

Profissionais envolvidos na transmissão da abertura da Semana Integrada 2021/2

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