Evento sobre análise do mercado de trabalho brasileiro com base em dados do PNAD revela reflexos da pandemia e outros problemas

Palestrante diz que Brasil vive a sua pior crise da história do mercado de trabalho

Ruy Bucar Extensão 30/04/2021 09:28

 

O projeto de extensão "Ciclo de Estudos e Debates sobre Capital, Trabalho e Políticas Sociais no Capitalismo Dependente" realizou nesta quinta-feira, 29, a palestra “Análise do mercado de trabalho brasileiro com dados da Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílio (PNAD/IBGE)”, proferida por Vicente Loeblein Heinen, estudante de Economia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O projeto de extensão é ligado ao curso de Serviço Social/Câmpus Palmas da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins).

 

Para Vicente Heinen, vivemos a pior crise da história do mercado de trabalho brasileiro. Dados da Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílio (PNAD), a respeito da taxa de desocupação no Brasil (1978-2020 em %), mostram que houve um salto de 6,8%, em 2014 para 13,5% em 2020, sendo observável que a crise da pandemia associada à crise do capitalismo mundial, que estourou em 2020, agravou a crise econômica e social do país, com aumento das pessoas passando fome.

 

Frente a crise econômica que atinge o Brasil desde o final de 2014, observa-se grande perda de ocupações. 2,7 milhões de ocupações foram perdidas de janeiro de 2014 a janeiro de 2016 e 8 milhões de ocupações foram perdidas de janeiro de 2020 a janeiro de 2021.

 

Para Heinen, a deterioração da renda - consumo das famílias como principal determinante do emprego no curto prazo - com a redução de 6,5% do rendimento médio dos trabalhadores em 2020 e a reestruturação das grandes empresas - aumento da exploração sobre a força de trabalho empregada - são fatores que contribuíram com o aumento do desemprego.

 

Com o aumento do desemprego, que atinge mais fortemente as mulheres e os negros, o custo da reprodução social dos trabalhadores foi descarregado nas costas das famílias, pois os serviços que eram prestados nos equipamentos de proteção social públicas foram internalizados pelos trabalhadores em seus domicílios - creche, educação, limpeza, alimentação e cuidado com idosos - agravando a crise social.

 

Em sua explanação, Heinen destacou que de acordo com a PNAD, há no Brasil cerca de 14 milhões de desocupados efetivos, ou seja, um aumento inédito do exército industrial de reserva, considerado como parte da população com mais de 14 anos em idade de trabalhar que não estão trabalhando. Este fato reforça o rebaixamento dos salários devido à concorrência entre os trabalhadores e dificulta também a retomada do crescimento econômico que é bastante lenta, pois não tendo poder aquisitivo os trabalhadores consomem menos.

 

Para Heinen, mesmo que haja retomada, o futuro próximo será de um mercado de trabalho precário. “Haverá redução do preço da força de trabalho e endividamento das famílias, com o agravamento da polarização do mercado de trabalho, onde os setores qualificados com maior poder reivindicatório terão melhores salários em relação aos postos de trabalho de baixa qualidade”, avalia Heinen.

 

Para o professor doutor Mauri Antônio da Silva, coordenador do Ciclo de Debates, os dados apresentados demonstram uma precarização estrutural do mercado de trabalho. “Isto é um reflexo da reforma trabalhista de 2017 que flexibilizou os vínculos laborais e da crise cíclica do capitalismo, sendo necessário o fortalecimento dos sindicatos e movimentos sociais em defesa dos direitos sociais da classe trabalhadora, da soberania nacional, e da democracia”, afirma Silva.

 

A reunião contou com 37 participantes, tendo sido registrado a presença de professores e alunos da Unitins, membros da comunidade interna e externa, inclusive de outras universidades, como a Universidade Paulista de Palmas (Unip Palmas), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal do Tocantins (UFT); além de representantes do Conselho Regional de Serviço Social (CRESS/TO) e da agricultura familiar. Vicente Heinen é bolsista do Núcleo de Estudos da Economia Catarinense (NECAT).

 

 

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