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  • 07/04/2021 19:00:00
  • 07/04/2021 19:09:03
  • Charlyne Sueste

Com pesquisas da Unitins em parceria com a Embrapa, Tocantins ocupa 3ª posição no ranking nacional de produção de arroz

"Graças à parceria foi possível gerar tecnologias, cultivares desenvolvidas e adaptadas às condições de clima e solos do Tocantins, o que favorece a produtividade", diz pesquisador



Unitins e Embrapa pesquisam cultivares adaptadas e resistentes para características do Tocantins (Fotos: Arquivo Dicom Unitins)

 

O Tocantins está produzindo sementes de arroz genuinamente tocantinense e que estarão disponíveis aos produtores nas próximas safras. A geração da variedade de arroz BRS TO é fruto da parceria da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) com a Embrapa Arroz e Feijão, que há anos pesquisam e apresentam cultivares adaptadas ao solo e clima característicos da região. 

 

“Graças à parceria foi possível gerar tecnologias, cultivares desenvolvidas e adaptadas às condições de clima e solos do Tocantins, o que favorece a produtividade (média superior a 100 sc/ha), principalmente na região de Lagoa da Confusão e Formoso do Araguaia. Dessa forma, a Embrapa tem trabalhado em rede de cooperação por meio de parcerias, esforço conjunto e compartilhamento de infraestrutura para conduzir projetos de pesquisa que atenda a demanda dos produtores de arroz do Tocantins, com máxima otimização de recursos”, explicou Daniel Fragoso, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão (GO) e chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pesca e Aquicultura.

 

Através de projetos fomentados e financiados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), a Unitins tem viabilizado recursos para melhorias da infraestrutura do Centro de Pesquisa Agroambiental da Várzea (CPAV),  em Formoso do Araguaia, e do Complexo de Ciências Agrárias (CCA), no Centro Agrotecnológico de Palmas, unidades de pesquisa da Universidade onde são conduzidos trabalhos de pesquisa científica em diferentes segmentos do Agro. As pesquisas desenvolvidas nessas unidades atendem demandas de cultivo em terras altas (cerrado) e em áreas de de várzea, como na Região Sudoeste do Estado, ou seja, são beneficiados produtores de todos os municípios tocantinenses.

 

“A parceria tem viabilizado efeitos positivos, tanto no plano de geração de conhecimentos científicos, de qualificação de pesquisadores, como no aporte de recursos financeiros para a estruturação dos projetos de base rural apoiados pela Fapt. O que representa avanço da Ciência, Tecnologia e Inovação no Tocantins, através da união de esforços entre setor público com a iniciativa privada em prol da segurança alimentar do nosso Estado”, relatou o presidente da Fapt, Márcio Silveira.

 

O primeiro Contrato de Cooperação Técnica entre a Embrapa e a Unitins foi assinado em 2013 e renovado no ano passado. Há nove anos pesquisadores das duas instituições vêm conduzindo atividades de pesquisa em parceria, o que representa a busca por inovações para a sustentabilidade produtiva e excelência da qualidade do arroz por meio do desenvolvimento de novas cultivares. Algumas das pesquisas desenvolvidas pelas instituições também contam com parceria de empresas privadas, por meio de contrato de cooperação técnico-financeira com empresas produtoras de sementes, como a Uniggel Sementes, Sementes Simão e Brazeiro Sementes. 

 

A partir das pesquisas realizadas, a Embrapa e a Unitins já disponibilizaram para o Tocantins opções de variedades de arroz tanto para o cultivo irrigado – BRS Catiana, BRS Pampeira, BRS A702 CL e BRS A704 –, como para cultivo em terras altas – BRS A501 CL e BRS A502. “No planejamento, é programado o lançamento de uma nova cultivar de arroz a cada dois anos para atender à demanda dos produtores de arroz tocantinenses”, explica Daniel Fragoso. Hoje, a BRS Pampeira está em mais da metade da área de arroz no estado.

 

Ciência no campo

A adoção de práticas agronômicas de manejo, investimento em tecnologias no campo para aumentar a produtividade, deve ser uma prioridade do produtor, além da valorização de técnicas recomendadas pela pesquisa, a começar pela época de semeadura e pela irrigação é fundamental. Outro ponto importante é a reorganização das áreas quanto ao sistema de drenagem, irrigação e domínio sobre o fluxo das águas para potencializar usos, diversificar cultivos e reduzir estresses das plantas.

 

Uma das preocupações para a cadeia do arroz no Tocantins é a segurança alimentar, o que significa a necessidade de melhoria na sustentabilidade das lavouras, minimizando riscos de impactos ambientais negativos no ambiente, bem como o cuidado com os recursos naturais e a proteção do solo, o uso de produtos biológicos e a conservação da qualidade da água. Ou seja, é necessário adotar um conjunto de práticas agronômicas de manejo integrado que são recomendadas.

 

Nas últimas safras, com o predomínio de cultivares com genética da Embrapa na região tropical, tem sido possível reduzir em até 50% o número de aplicações preventivas com fungicidas, contribuindo diretamente para maior sustentabilidade da produção, com redução tanto de custos como de resíduos químicos nos grãos. A resistência genética às principais doenças da cultura do arroz, principalmente à brusone, também é fruto de pesquisa

Transferência de tecnologias

Uma observação importante para o fortalecimento dos produtores de arroz é que sigam as recomendações adequadas para a cultura, por meio da assistência técnica especializada, ou por meios virtuais confiáveis que se dá pelo apoio contínuo da transferência de tecnologias, tornando as informações agronômicas mais acessíveis, bem como utilizando sistemas e formas mais eficientes para a melhoria do processo produtivo.

 

Ou seja, a transferência de tecnologia tanto pela pesquisa como pela extensão, juntamente com os produtores, para que todo o processo produtivo possa alcançar as melhorias necessárias. Reunindo esses segmentos produtivos com as ações do setor público, da iniciativa privada e da pesquisa, o caminho se fortalecerá e trará benefícios aos produtores de arroz irrigado do Tocantins.

 

Dados do arroz

No Tocantins, deverão ser registrados ligeiros aumentos nos três indicadores: 0,3% na área plantada com arroz irrigado; 0,6% na produção; e 0,3% na produtividade. Em números absolutos, a previsão da Conab feita no mês passado indica uma produção de 636,2 mil toneladas numa área de 111,2 mil hectares, chegando-se a uma produtividade média de 5.721 kg/ha em 2020/2021. Esses números são periodicamente atualizados pela companhia, podendo, portanto, ser alterados.

 

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em boletim divulgado em março, a safra de arroz irrigado em 2020/2021 no País deve ser 2,2% menor que a anterior. Isso deverá acontecer mesmo com o projetado aumento de 2,3% na área plantada. A causa da queda na produção é que a produtividade média no Brasil deverá ser 4,3% menor em 2020/2021 na comparação com a safra anterior.

 

Informações da Ascom Embrapa e Ascom Fapt


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