Os quilombos foram e continuam a ser uma forma significativa de organização social, política, cultural e territorial do povo negro brasileiro. A permanência nos quilombos permitiu que os negros escravizados recuperassem sua condição de indivíduo e sujeito em contraposição à sua comercialização. As comunidades quilombolas são um símbolo de luta e resistência, entretanto, os fatores sócio-sanitários acabam interferindo na qualidade de vida dessas comunidades, principalmente quanto a presença de parasitoses. A água do rio Tocantins é a principal fonte de água para o consumo humano dentro da comunidade, apesar dos riscos de contaminação. O artigo aborda os desafios enfrentados pela comunidade quilombola Carrapiché, situada na microrregião do Bico do Papagaio, Tocantins, destacando sua importância histórica e cultural, bem como os obstáculos socioeconômicos e de saúde que enfrentam. A pesquisa, realizada, adotou um delineamento exploratório e observacional, utilizando questionários semiestruturados para coletar dados sobre variáveis sociodemográficas, condições sanitárias e serviços de saúde. Os resultados revelaram uma comunidade composta principalmente por mulheres, com uma distribuição etária destacando adultos jovens e de meia-idade. A ocupação principal está ligada à pesca, refletindo a dependência econômica dessa atividade. O estudo destaca a urgência de intervenções abrangentes para enfrentar os desafios sociais, ambientais e de saúde enfrentados pela comunidade quilombola Carrapiché. Tais intervenções incluem melhorias no acesso aos serviços básicos de saúde e saneamento, garantia da qualidade da água e conscientização sobre medidas preventivas de saúde. Essas ações são cruciais para promover o bem-estar e elevar a qualidade de vida dessa comunidade historicamente marginalizada.