Introdução: A enxaqueca é uma condição neurológica prevalente e incapacitante, caracterizada por crises recorrentes de dor intensa, geralmente unilateral e pulsátil, frequentemente acompanhada de náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. Com impacto funcional e social significativo, acomete aproximadamente 15,8% da população brasileira, com maior prevalência entre mulheres de 30 a 50 anos. Apesar das diversas opções terapêuticas, cerca de 30% dos pacientes permanecem refratários às abordagens convencionais. Nesse contexto, a cetamina, antagonista dos receptores N-metil-D-aspartato (NMDA), com ação analgésica e anti-inflamatória, tem sido considerada uma alternativa promissora. Objetivo: Mapear e sintetizar o conhecimento atual sobre a eficácia da cetamina no tratamento da enxaqueca. Método: Trata-se de uma revisão de escopo. As buscas foram realizadas nas bases PubMed, MEDLINE, SciELO, LILACS, Web of Science e Cochrane. Foram incluídos estudos publicados entre 2014 e 2025, em qualquer idioma, que abordassem o uso da cetamina no tratamento da enxaqueca episódica ou crônica. A triagem foi conduzida com o apoio da plataforma Rayyan, e a extração dos dados seguiu formulário adaptado das diretrizes PRISMA e do manual JBI. Resultados: Foram incluídos 12 estudos: dois ensaios clínicos randomizados, três revisões narrativas, uma revisão sistemática com meta-análise, e seis estudos observacionais e séries de casos. A cetamina foi predominantemente administrada por via intravenosa, em doses subanestésicas (0,1–1 mg/kg/h), com registro de redução significativa da dor durante a infusão hospitalar. Conclusão: A cetamina demonstrou efeito terapêutico relevante na redução da dor em pacientes com enxaqueca crônica refratária, sobretudo quando administrada em infusões subanestésicas no ambiente hospitalar. Contudo, permanecem lacunas importantes quanto à segurança do uso prolongado, à definição de doses ideais e aos efeitos adversos a longo prazo.