Introdução: a preocupação é um sintoma central dos transtornos ansiosos, provocada por problemas significativos ou eventos triviais, que aumentam o nível de estresse e reduzem o relaxamento físico e mental. Por outro lado, a depressão é um estado de tristeza prolongada, desprazer e culpa, sintomas que alteram tanto o sono quanto o apetite e a volição, com presença ou não de ideias suicidas. Esses estados emocionais podem surgir ou se agravar em decorrência do estresse durante a formação acadêmica, sendo que 27% dos estudantes de medicina e 20,7% de enfermagem apresentam alguma comorbidade psiquiátrica. Assim, objetiva-se analisar os níveis de preocupação e sintomas depressivos, correlacionando-os com fatores sociodemográficos entre estudantes de Medicina e Enfermagem, com o intuito de identificar perfis de risco. Material e Métodos: trata-se de um estudo epidemiológico, com delineamento transversal, realizado na Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), campus Augustinópolis, no período de abril a agosto de 2024, com estudantes dos cursos de Enfermagem e Medicina. A amostra foi composta por 184 participantes, os instrumentos para pesquisa de preocupação e sintomas depressivos foram questionários estruturados: o Inventário de Depressão de Beck (BDI) e o Penn State Worry Questionnaire (PSWQ), administrados por meio de formulários virtuais. E os dados foram processados pelo Statistical Package for the Social Sciences (SPSS®), versão 21. Resultados: a amostra predominou no sexo feminino, idade entre 20 e 24 anos, solteiros e sem outra graduação. O curso de Enfermagem teve maior proporção de participantes pardos e pretos, com renda média de 2,3 salários mínimos, enquanto em Medicina prevaleceram estudantes brancos, com renda média de 6,4 salários mínimos. Níveis mais elevados de depressão foram observados entre estudantes de Enfermagem, especialmente entre pessoas pardas e com renda inferior a cinco salários mínimos. A preocupação esteve presente em 84,7% dos participantes, sem diferença estatística entre os cursos. Observou-se que elevados níveis de preocupação predizem aumento nos níveis de depressão influenciados também por sono, trabalho doméstico, atividade física e renda. Discussão: Houve prevalência significativa de problemas psíquicos entre os universitários, com metade apresentando algum grau de depressão e alta preocupação. Perfil feminino, baixa renda, sono inadequado, inatividade física e elevada carga doméstica agravam os sintomas. Conclusão: Depressão e preocupação são prevalentes entre universitários, principalmente em mulheres com baixa renda, sono inadequado, inatividade física e alta carga doméstica, fatores que intensificam esses sintomas. Dessa forma, tais condições devem ser priorizadas em ações institucionais voltadas à mitigação do sofrimento psíquico.