Introdução: As Unidades de Pronto Atendimento integram a Rede de Atenção às Urgências e Emergências do Sistema Único de Saúde, atuando como serviços de complexidade intermediária entre a atenção básica e a rede hospitalar. Nessas unidades, o atendimento é organizado por meio da classificação de risco, utilizando protocolos como o de Manchester, que estabelece a prioridade conforme a gravidade clínica. Apesar disso, estudos têm demonstrado elevada proporção de atendimentos de baixa complexidade nas UPAs. Objetivo: Averiguar as principais demandas de atendimento e suas respectivas classificações de risco na UPA de Augustinópolis-TO. Método: Trata-se de um estudo epidemiológico, transversal e analítico, baseado na análise de 400 prontuários de pacientes atendidos entre 1º de agosto de 2022 e 1º de agosto de 2024. Foram incluídas fichas de pacientes com idade superior a 18 anos, com dados completos sobre idade, sexo, queixa principal, classificação de risco, horário do atendimento e dia da semana do atendimento. A coleta de dados foi realizada por meio de planilha estruturada no Microsoft Excel. A análise estatística foi conduzida com o software IBM-SPSS 21.0, sendo empregada estatística descritiva e o teste Qui-Quadrado de Pearson, com nível de significância de 5% (p f 0,05). Resultados: A maioria dos atendimentos foi classificada como pouco urgente (50,5%) ou não urgente (12,3%). A faixa etária predominante foi a de adultos entre 25 e 59 anos (55,3%), com leve predominância do sexo feminino (54,0%). A maior parte dos atendimentos ocorreu no turno da manhã (38,0%) e em dias úteis (73,0%). Dentre os atendimentos em dias úteis, 44,25% referiam-se a casos classificados como não ou pouco urgentes. As queixas mais prevalentes foram dor localizada (26,9%), queixas gerais e sistêmicas (20,5%) e gastrointestinais (12,0%). Conclusão: Verificou-se que a maioria dos atendimentos realizados na UPA de Augustinópolis não correspondia a casos de urgência clínica. Esses achados evidenciam a necessidade de investimentos no fortalecimento da organização assistencial, além da implementação de ações educativas voltadas à população e de capacitações direcionadas aos profissionais de saúde.