A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível, crônica, sistêmica e curável. Nas gestantes, quando não tratada, pode resultar em parto prematuro, aborto, natimorto e sepse no recém nascido. O pré-natal realizado durante a gestação é essencial para identificação e tratamento oportuno da infecção pelo Treponema pallidum assim como seguimento adequado de cada caso. Entre 2010 e 2021, o Brasil registrou 423.158 casos de sífilis em grávidas, com 3.544 no Tocantins. Augustinópolis-TO se destacou com a terceira maior frequência de sífilis congênita no estado (235 casos). Diante desse contexto, o objetivo da pesquisa é avaliar os fatores associados a assistência pré-natal a partir das fichas de notificação compulsórias dessas mulheres em Augustinópolis-TO. Trata-se de um estudo ecológico e descritivo, com uma abordagem retrospectiva e quantitava. O estudo evidenciou desafios significativos no controle da sífilis gestacional em Augustinópolis-TO, destacando um perfil epidemiológico predominante entre mulheres jovens (20-39 anos), pardas (75,3%), com ensino médio completo (28,39%) e residentes na zona urbana (87,6%). A análise revelou lacunas críticas na assistência pré-natal, incluindo subnotificação de dados (37% das fichas com campos ignorados, como escolaridade), diagnóstico tardio (42% dos casos detectados após o primeiro trimestre) e falhas no acompanhamento sorológico (54,32% sem registro mensal de VDRL). Essas deficiências comprometem a avaliação da resposta terapêutica e aumentam o risco de transmissão vertical, que pode atingir 100% em casos não tratados. Foi identificado o uso inadequado de esquemas terapêuticos (77,8% das gestantes receberam tratamento para sífilis tardia, embora todos os casos fossem classificados como primários) e a baixa adesão dos parceiros ao tratamento (74%). Fatores como barreiras logísticas, estigma social e falta de estratégias ativas pelas unidades de saúde contribuíram para esse cenário. A combinação dessas falhas resulta em maior risco de desfechos adversos, como óbito fetal, baixo peso ao nascer e sequelas neonatais. Para enfrentar esses desafios, são urgentes: (1) capacitação dos profissionais para preenchimento correto das fichas e classificação clínica precisa; (2) ampliação do teste rápido e monitoramento rigoroso do VDRL; e (3) implementação de programas específicos para envolver os parceiros no tratamento. Essas medidas, integradas às políticas públicas locais, são essenciais para reduzir a cadeia de transmissão e melhorar a qualidade da assistência pré-natal no município.