TCC

ANÁLISE ECOLÓGICA DA PREVALÊNCIA DE LESÕES PRECURSORAS E CÂNCER DE COLO DO ÚTERO NO NORTE DO TOCANTINS

Aprovado em: 28/05/2025
Curso ou área: MEDICINA
RESUMO

O câncer do colo do útero (CCU) é uma neoplasia ginecológica de elevada incidência no Brasil, sendo associada principalmente à infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV). Nesse contexto, o exame citopatológico é a principal ferramenta para detecção precoce de lesões precursoras e prevenção da progressão para formas invasivas. Entretanto, barreiras socioeconômicas e regionais impactam negativamente a cobertura do rastreamento, sobretudo em áreas vulneráveis, como a Região Norte. Diante disso, o estudo tem por objetivo descrever o perfil epidemiológico e a prevalência de lesões precursoras e câncer de colo do útero em mulheres da microrregião do Bico do Papagaio, Tocantins, utilizando dados do Sistema de Informação do Câncer (SISCAN) no período de 2013 a 2023. Trata-se, portanto, de um estudo ecológico, de série temporal, baseado em dados secundários do SISCAN. Foram incluídos exames citopatológicos realizados em mulheres residentes na microrregião, com análise de variáveis sociodemográficas e clínicas, conforme os padrões do SISCOLO. A organização e o tratamento dos dados foram realizados no software Microsoft Excel® 2016. Ao todo, foram analisados 56.877 exames citopatológicos, dos quais 1.683 (2,96%) apresentaram alterações, desconsiderando lesões benignas. Em relação aos resultados, a categoria mais frequente foi ASC-US (791 casos; 46,72% das alterações), seguida de LSIL (328 casos; 19,49%) e HSIL (227 casos; 13,49%). A maioria dos exames alterados ocorreu em mulheres de 25 a 64 anos (84,59%); porém, 10,46% dos exames foram realizados em mulheres abaixo de 25 anos, contrariando as recomendações. Observou-se ainda que a faixa etária com maior incidência de LSIL foi de 25 a 29 anos, enquanto HSIL predominou entre 35 a 39 anos. No que tange à variável raça, mulheres autodeclaradas como amarelas concentraram a maioria dos casos de LSIL (41,16%) e HSIL (37,44%), superando os registros entre pardas e pretas. Ademais, apenas três casos de carcinoma epidermoide invasor foram registrados no período, não havendo detecção de adenocarcinoma. Os dados revelaram uma redução progressiva no volume de exames a partir de 2014, com queda acentuada entre 2019 e 2021, fenômeno atribuído ao impacto da pandemia de COVID-19. Além disso, a prevalência de lesões precursoras, especialmente de alto grau, superou a média nacional, sugerindo maior exposição ao HPV e risco de progressão para CCU na microrregião. A realização expressiva de exames em mulheres jovens expõe a possibilidade de condutas desnecessárias. Por outro lado, a distribuição racial das alterações difere do padrão nacional, indicando necessidade de investigações sobre determinantes locais. Cumpre destacar que a ausência de dados sobre escolaridade limitou a análise de determinantes sociais. À vista disso, o estudo evidencia vulnerabilidades no rastreamento do CCU na microrregião do Bico do Papagaio, com impacto potencial na morbimortalidade feminina. Portanto, reforça-se a necessidade de qualificação da Atenção Primária à Saúde, ampliação do acesso aos exames, melhoria na completude dos registros e formulação de políticas públicas adaptadas às especificidades regionais.

BANCA (AVALIADORES)
  • Doutor(a) SYLLA FIGUEREDO DA SILVA (UNITINS)
  • Mestre(a) RENATA DE SA RIBEIRO (UNITINS)
  • Especialista JORDANIA SOARES LEAL (UNITINS)
COMO REFERENCIAR

OLIVEIRA, Dâmarys Vitória Ribeiro. ANÁLISE ECOLÓGICA DA PREVALÊNCIA DE LESÕES PRECURSORAS E CÂNCER DE COLO DO ÚTERO NO NORTE DO TOCANTINS . UNITINS - 2025. Disponível em: https://www.unitins.br/RepositorioDigital/Publico/Home/VisualizarArquivo/1150. Acesso em: 07/06/2026