A violência contra a mulher configura-se como um grave problema de saúde pública e uma violação dos direitos humanos, sustentada por fatores estruturais e culturais que perpetuam relações desiguais de gênero. O presente estudo teve como objetivo descrever a incidência e o perfil epidemiológico da violência contra mulheres de 18 a 59 anos no município de Augustinópolis 3 Tocantins - Brasil, entre agosto de 2013 e agosto de 2023. Trata-se de um estudo ecológico de série temporal, fundamentado na análise das Fichas de Notificação/Investigação Individual de Violência Doméstica, Sexual e/ou Outras Violências Interpessoais, devidamente registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação. As variáveis analisadas incluíram características sociodemográficas das vítimas, natureza da violência, meios de agressão, vínculo do agressor e local da ocorrência. Os dados foram organizados em planilhas eletrônicas e apresentados por meio de frequências absolutas e relativas. Durante o período avaliado, foram registradas 38 notificações de violência contra mulheres na faixa etária delimitada. Observou-se maior incidência nos anos de 2017, 2020 e 2022. A faixa etária com maior número de casos foi de 35 a 44 anos (42,11%), sendo predominantes mulheres autodeclaradas pardas (81,58%) e de baixa escolaridade. A maioria das vítimas residia na zona urbana (73,68%) e encontrava-se em situação conjugal de solteira (39,47%) ou casada/união consensual (39,47%). A violência física foi a mais frequente (71,43%), seguida da psicológica (20,41%). Quanto ao meio de agressão, destacaram-se a força corporal/espancamento (53,70%) e o uso de objetos perfurocortantes (18,52%). Em relação ao agressor, prevaleceram homens (84,21%), com vínculos afetivos com a vítima, especialmente cônjuges, ex-companheiros e namorados. O estudo revelou ainda a coocorrência de múltiplas formas e meios de agressão em diversos episódios, o que intensifica a complexidade da vivência da violência e seus desdobramentos físicos e psíquicos. Tais achados reforçam a importância da vigilância qualificada e da articulação intersetorial para o enfrentamento da violência de gênero. É imprescindível o fortalecimento da rede de atenção à mulher, com capacitação contínua dos profissionais da saúde, ampliação do acesso aos serviços de acolhimento, e implementação de estratégias de prevenção fundamentadas na equidade de gênero e nos direitos humanos. Conclui-se que a violência contra a mulher em Augustinópolis-TO é um fenômeno multifacetado, atravessado por desigualdades sociais, raciais e econômicas, cuja visibilidade depende da melhoria dos processos de notificação e da consolidação de políticas públicas que enfrentem suas causas estruturais. O estudo contribui significativamente para o campo da saúde coletiva ao lançar luz sobre uma realidade ainda invisibilizada nos municípios do interior brasileiro.