Introdução: A hipertrigliceridemia, caracterizada por níveis elevados de triglicerídeos, é uma dislipidemia com prevalência crescente entre pessoas idosas e constitui um fator de risco para doenças cardiometabólicas. Essa condição é particularmente preocupante em contextos com recursos limitados para a realização de exames laboratoriais. Embora a associação entre indicadores antropométricos de obesidade e dislipidemias seja reconhecida, poucos estudos populacionais se dedicaram a investigar o potencial dessas variáveis como ferramentas de triagem para esse desfecho. Objetivo: Investigar a capacidade discriminatória de indicadores antropométricos de obesidade em relação à hipertrigliceridemia em pessoas idosas. Método: Estudo epidemiológico transversal, de base populacional, realizado com 223 pessoas idosas (57% mulheres), residentes na zona urbana de Aiquara, Bahia, Brasil, cadastradas na Estratégia Saúde da Família. Os indicadores antropométricos analisados como variáveis independentes foram: índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura, circunferência abdominal (CA), dobra cutânea tricipital, índice de adiposidade corporal, razão cintura-quadril (RCQ), razão cintura-estatura (RCE) e índice de conicidade (IC). A hipertrigliceridemia (desfecho) foi definida por níveis de triglicerídeos g 150 mg/dL. Nas análises inferenciais, foram utilizadas curvas receiver operating characteristic e regressão de Poisson com estimador de variância robusta. Resultados: A prevalência de hipertrigliceridemia foi de 35% (homens: 32,30%; mulheres: 37%). Entre os homens, a CA apresentou a maior sensibilidade (88,90%) para o rastreio da hipertrigliceridemia, seguida pelo IC (77,40%). A RCQ foi o indicador mais específico (83,10%), seguida pelo IMC (76,90%). Nas mulheres, a CA e o IMC demonstraram as maiores sensibilidades (95,70% e 87,20%, respectivamente), enquanto o IC (72,5%) e a RCE (68,80%) apresentaram maior especificidade. Também se observou maior prevalência de hipertrigliceridemia entre pessoas idosas de ambos os sexos com valores elevados nos indicadores antropométricos avaliados. Conclusão: As evidências indicam que, no sexo masculino, a CA foi o indicador com maior capacidade para rastrear a presença de hipertrigliceridemia, enquanto a RCQ foi o melhor na identificação dos homens sem o desfecho. Entre as mulheres, a CA mostrou melhor desempenho no rastreio das participantes com hipertrigliceridemia, enquanto o IC se destacou na identificação daquelas sem a condição. Adicionalmente, os indicadores antropométricos de obesidade mostraram-se positivamente associados à hipertrigliceridemia na população estudada.