Introdução: Como consequência do envelhecimento, as pessoas idosas tendem a apresentar declínio na funcionalidade, o que pode gerar implicações na capacidade de autocuidado, repercutindo em um quadro de dependência. Nesse contexto, torna-se imprescindível a realização de inquéritos de saúde que investiguem o panorama epidemiológico de tal desfecho na população idosa. Objetivo: Investigar os fatores associados à dependência funcional em pessoas idosas Métodos: Estudo epidemiológico, com delineamento transversal e baseado na população, que utilizou dados de um levantamento censitário realizado com 258 pessoas idosas (59,30% mulheres), residentes na área urbana de Aiquara, Bahia, Brasil. As variáveis preditoras incluíram aspectos socioeconômicos, comportamentais e relacionados à saúde. Os desfechos de interesse foram a dependência para as atividades básicas (ABVD) e para as instrumentais da vida diária (AIVD). Para as análises inferenciais, foram construídos modelos brutos e, subsequentemente, um modelo hierárquico múltiplo explicativo (Nível 1: variáveis socioeconômicas; Nível 2: aspectos comportamentais; Nível 3: condições de saúde). Para tanto, foi adotada a regressão de Poisson, com estimador robusto, e o cálculo das Razões de Prevalência (RP) e seus respectivos Intervalos de Confiança (IC) de 95%. Resultados: A média de idade dos participantes foi de 72,62 ± 8,32 anos. Quando estratificada por sexo, verificaram se médias de idade de 72,90 ± 8,34 anos para os homens e de 72,43 ± 8,33 para as mulheres. A prevalência observada de dependência funcional nas AIVD foi de 20,90% (homens: 20%; mulheres: 21,60%), enquanto nas ABVD foi de 12,80% (homens: 9,50%; mulheres: 15%). Além disso, verificou-se maior probabilidade de dependência funcional entre pessoas idosas com idade avançada (RP: 1,06; IC95%: 1,01–1,08), com baixa escolaridade (RP: 1,95; IC95%: 1,10–3,48), com atividade física insuficiente (RP: 4,05; IC95%: 2,21–7,40), com comportamento sedentário elevado (RP: 1,66; IC95%: 1,10–2,50) e com diagnóstico de diabetes mellitus (RP: 1,78; IC95%: 1,08–2,94). Para as ABVD, verificou-se maior probabilidade entre pessoas idosas com idade avançada (RP: 1,04; IC95%: 1,01–1,08), insuficientemente ativas (RP: 1,89; IC95%: 1,01–3,55) e naquelas que referiram ocorrência de quedas (RP: 1,95; IC95%: 1,02–3,47). Conclusão: A dependência funcional nas pessoas idosas participantes da pesquisa esteve associada a fatores socioeconômicos, comportamentais e relacionados às condições de saúde. Portanto, os achados reforçam a importância de estratégias de intervenção precoce e ações integradas na atenção primária para promover o envelhecimento funcional e saudável em populações vulneráveis.