Pesquisa da Unitins sobre festejo centenário de Dianópolis é destaque em evento nacional
Da tradição centenária ao reconhecimento científico, o Festejo de São José como expressão de identidade e cidadania cultural

Egressa do curso de Administração durante apresentação da Pesquisa (Fotos: Divulgação)
A pesquisa “Engajamento comunitário e participação popular na organização da festividade religiosa de São Jose, padroeiro de Dianópolis”, desenvolvida pela egressa do curso de Administração/Câmpus Dianópolis Karoline de Souza Araújo, foi publicada nos anais da XIX Conferência Brasileira de Comunicação Cidadã, promovida pela Associação Brasileira de Pesquisadores e Comunicadores em Comunicação Popular, Comunitária e Cidadã (ABPCom), em parceria com a Universidade Federal do Tocantins (UFT).
Realizada em 2025, a conferência reuniu pesquisadores de diversas regiões do país para debater o tema “Ações comunicacionais comunitárias protagonizadas por populações sub-representadas como alternativas às crises climáticas”. O trabalho da Unitins foi apresentado de forma remota no Grupo de Trabalho 2, Culturas Populares, Identidades e Cidadania, destacando-se pela abordagem que articula religiosidade popular, organização comunitária e comunicação cidadã como elementos centrais para a preservação do patrimônio cultural imaterial.
A pesquisa é fruto do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado em 2024 pela então acadêmica, sob orientação da professora mestre Marina Bitar, e teve como foco o tradicional Festejo de São José, padroeiro do município de Dianópolis, no sudeste do Tocantins.
Com mais de 100 anos de história, a festividade é reconhecida oficialmente desde 2023 no Calendário Cultural do Estado do Tocantins e constitui uma das mais importantes expressões de fé, identidade e integração social da região.
Ao realizar um resgate histórico da influência da participação popular na organização e no desenvolvimento do festejo, a pesquisa evidencia que a celebração vai muito além do aspecto religioso, tratando de um evento que mobiliza moradores da zona urbana e rural, católicos e não católicos, comerciantes, voluntários e lideranças comunitárias, fortalecendo laços sociais, movimentando a economia local e reafirmando o sentimento de pertencimento ao território.
Por meio da metodologia historiográfica e da análise documental, foram examinados registros históricos, documentos paroquiais, publicações em redes sociais e depoimentos disponíveis no site da Diocese de Porto Nacional. Os resultados demonstram que a organização do festejo ocorre a partir de uma divisão coletiva de tarefas e atribuições, que inclui desde a preparação litúrgica das missas e procissões até a realização de quermesses, bingos, leilões, rifas, ornamentação dos espaços, divulgação digital e arrecadação de recursos financeiros para a paróquia.

Abertura do Congresso
A professora Marina Bitar, orientadora do trabalho, destaca que o estudo revela o protagonismo da comunidade como elemento central da comunicação cidadã. “Esse trabalho mostra que a comunicação cidadã não está apenas nos grandes meios, mas nasce nas práticas cotidianas, na organização popular e nas relações humanas. O festejo de São José é um exemplo vivo de como a participação comunitária produz sentido, identidade e pertencimento, transformando tradição em conhecimento acadêmico relevante”, afirmou.
Segundo a docente, a publicação do artigo em um evento científico de alcance nacional reafirma o compromisso da Unitins com pesquisas que dialogam diretamente com a realidade social e cultural do Tocantins. “É uma pesquisa que une rigor metodológico e sensibilidade social. Ao valorizar a memória e a cultura local, o trabalho também contribui para pensar estratégias de desenvolvimento cultural, turístico e comunitário em outras cidades da região”, completou Marina Bitar.
Vozes da comunidade e identidade cultural
A pesquisa ressalta ainda que o Festejo de São José constitui um espaço de comunicação simbólica, no qual gestos, rituais, falas, encontros e práticas coletivas funcionam como formas de transmissão de valores, saberes e histórias. A imponente imagem do padroeiro, localizada na principal avenida da cidade, é citada no estudo como um marco visual e simbólico da identidade dianopolina, reconhecida inclusive por moradores que não professam a fé católica.
Para a autora do trabalho, Karoline de Souza Araújo, a publicação nos anais da XIX Conferência Brasileira de Comunicação Cidadã possui um significado que ultrapassa a conquista acadêmica. “A publicação da nossa pesquisa tem um significado pessoal e cultural único, porque representa a valorização das pessoas, da identidade cultural e das vivências que fortalecem os laços fraternos e familiares da comunidade. É um reconhecimento de que cada gesto de participação e cada forma de comunicação reafirmam o sentimento de pertencimento a esta terra”, destacou.
Karoline enfatiza que o estudo nasce do contato direto com a realidade local e carrega memórias afetivas que atravessam gerações. “Esse trabalho nasce do cotidiano, do convívio com as pessoas e do respeito à história da cidade. Compartilhá-lo em uma conferência nacional é uma forma de dizer que a comunicação cidadã começa nas relações humanas mais simples e que essas histórias, quando ouvidas, também transformam e permanecem vivas”, afirmou a pesquisadora.
Além de contribuir para o campo da comunicação cidadã, o estudo amplia a visibilidade da Unitins como espaço de produção científica comprometida com o desenvolvimento regional e com a valorização da cultura popular. A pesquisa também evidencia a escassez de estudos acadêmicos sobre o Festejo de São José, reforçando sua originalidade e relevância para a preservação da memória coletiva do município.
O artigo completo está disponível nos anais da XIX Conferência Brasileira de Comunicação Cidadã, para acessar, clique aqui.
